quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Coreografia improvisada



Quem aqui sabe cantar? Quem aqui sabe dançar? Quem aqui sabe viver? Ah, se a vida fosse apenas mais uma coreografia bailada pelos pés da saia rodada. Simplesmente te colocam no palco e a música começa e termina quando ela bem entende. No começo fica-se um pouco perdida, sem saber o que fazer com os braços e pernas, mas aos poucos aquilo faz tão parte de você, que os passos surgem quase que intuitivamente. Tudo é tão lindo na primeira estrofe. Depois, os sons vão mudando, o ritmo acelerando e seus passos anteriores já não se encaixam tão bem assim na melodia. É preciso criar passos novos, e rápido! Antes que a música pare. Um pouco de descordenação no princípio, mas logo logo seus pés deslizam novamente como patins no gelo. Você olha para quem te olha, e descobre que não está sozinha nesse palco. Todo minuto vem alguém com passos mais elaborados tentando se destacar. E é por isso que os seus se elaboram cada vez mais e mais. De repente, em algum momento da música, os seus passos desaceleram, e os seus pés estão tão acostumados com a espontaneidade dos ritmos fervilhantes, que você luta contra a calmaria. Mas ela vem, e não tem jeito. E mais uma vez você tem que se acostumar, afinal, lembre-se que a música pára a qualquer momento. Um som suave e ao mesmo tempo melancólico surge, e seu corpo vai amolecendo e perdendo as forças, até que você olha em volta, e vê que os outros continuam a dançar rapidamente. "Por quê eu?". Respostas não existem nessa coreografia, e o jeito é correr atrás das notas perdidas. Acelera e desacelera. A música faz o que quer de você.