quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Necessidade


Quero sentir. Arrepio de madrugada, tapa na cara e bochechas quentes. Quero chorar de felicidade e enxergar tudo embaçado. Quero perder a dor na esquina, fingir estar triste pra ganhar desculpas a toa. Quero sentir o peso da má notícia, o desânimo da segunda-feira, a dormência dos pés. Quero desvendar os sorrisos da mesa ao lado. Quero amores de mentirinha. Quero desafinar, cair e implorar, sumir e esquecer das pistas. Quero arranhar a lousa e pisar em espinhos. Quero sentir sede de cheiros e vontades inapropriadas. Quero pedir silêncio pra escutar, falar até a garganta arranhar e de joelhos pedir pra ficar. Quero bater a porta, ferver os olhos e me arrepender depois. Quero cantar de olhos fechados, suspirar com o ridículo, contar o final do filme, fugir e querer ser resgatada, me entregar de bandeja, dançar fora do ritmo, dizer SIM ao NÃO prometido. Quero sentir o azedo pra valorizar o doce, queimar a língua pra saber sentir o gosto. Extravasar. Gargalhar. Quero despir os instintos, acariciar o desejo, suar com o insaciável e sair com a respiração ofegante. Seja com o que for, seja porque for, eu quero sentir.